Humm... A terceira deve ser de vez...




A sorrir faço mais uma pausa neste espaço...
(Confesso que não sei se por breves minutos...(sorrindo)...)

Mas por vezes é necessário "sair-mos" ir até "lá fora"...Espairecer...
Eu não vou "Parar"...Pelo contrário, quero ao menos "Tentar" submergir-me nas tantas coisas que tenho e preciso fazer...
Vou dar-me um tempo, não tem dado para transmitir tranquilidade, serenidade nas palavras que aqui tenho colocado, têm sido assim os meus sentires...
Por isso... Eu já volto... Não vou demorar... (sorrindo)

...




(Há músicas que nos "cantam"...)

...

Demência...

Foto de: ABrito




Ruídos...
Ecos de palavras ocas...
Apertos suspensos no vazio desmedido...
Odores de lembranças...
Atitudes ineficazes...
Marulhada de sentires...
Tempos perdidos...
Quimera de sorrisos...
Delírios da minha alma...

Uma pausa na tranquilidade...

Foto de: ABrito
Tentando dedilhar algo que não espelhe dor...
Possível? Não, hoje não é possível...
Deixo sair o que sair, numa tentativa de soltar tudo o que está cá dentro a corroer
Âmago em pranto, rosto humedecido pelas lágrimas que caiem sem que eu as chame
Limites? Talvez eles estejam a chegar sem que eu possa mais travá-los
Impotência? Também, não sinto mais força para continuar a ocultar, continuar a tapar os malditos sentires que me perseguem...
Culpabilização? Sim, como olhar o céu e nele nada ver, sentir um vazio imenso, olhar-me e ver um outro Eu!
Chove lá fora? Então a culpa é minha! Eu deveria conseguir fazer a chuva parar!
Eu deveria sempre conseguir fazer sorrir quem me rodeia...
Eu preciso estar sempre bem, eu não posso deixar que me sintam caída no buraco, as minhas dores são somente minhas!
Não posso desfazer os nós que ocupam todo o espaço das minhas entranhas... Não posso soltar os gritos calados que vivem em mim...
Não tenho o direito de fazer chorar, quando eu e só eu posso fazê-lo, o peso do mundo já não me pode custar, sempre consegui suste-lo em meus braços...
Porquê agora toda esta debilidade?
Esta fraqueza sem direito de existir!
Medo? Muito não sei se saberei lidar com o inicio de um fim, o fim da máscara que tenho vindo a suportar!
Eu só queria tornar tudo mais fácil!

...

...

Foto de: Nuno Belo
Olho-te
Desejo-te
Beijo-te
Palpo-te
Sinto-te

Perco-me
Encontro-te
Tocas-me
Sinto-me




Abraçamos-nos
Desejamos-nos

Sonhamos
Voamos
Sorrimos!

Haja o que houver...





Porque acalmas no teu mar manso a minha intranquilidade
Porque me completas no desejo insaciável
Porque me sossegas o âmago em pranto de saudade
Porque sofremos de um amor incontrolável

No sentir do peito palpitar
No respirar ofegante de cansaço
Estás aí onde tens de estar
Na realidade dos meus sonhos, no meu regaço

"Eu sei...quem és, pra mim...
Haja... o que houver
Espero por ti..."

Beija-me num sonho
Chama meu nome no nosso leito
Sente meu corpo suave
No despertar do teu amanhecer de solidão sem jeito

Sereno sentir...





Às vezes
Por mais que nos custe
Por mais que nos doa
Por mais que não aceitemos
As dores
As lágrimas
As mágoas despejadas em nós
As revoltas fustigantes
Têm todo o significado de existirem
Porque depois de todos estes sentires sufocantes
A tal bonança chega
As nuvens cinzentas dão lugar às imaculadas
Em nós, volta a fazer-se sentir a acalmia
A serenidade
Os sorrisos começam a surgir como que espreitando por entre as lágrimas que se despedem de nós
O sol a cada instante reacende num brilho estonteante
Em momentos de dor
Meu peito enche-se de uma mágoa tremenda
Ganho uma vontade enorme de virar o mundo do avesso
Consome-me a loucura de uma revolta incontrolável
O céu parece querer engolir-me
O vazio fecha qualquer porta que eu possa imaginar
O sufoco toma conta de todos os meus sentidos
Perco-me debilmente nas ruas recônditas do meu próprio Eu
Mas...
A luta tem de ser constante
Não tenho o direito de queimar o oxigénio essencial aos que me rodeiam
Em momento algum posso deixar que as minhas inquietações possam incutir mau estar a quem me gosta
Nas solidões em que muitas vezes (e tantas vezes) o meu âmago se aninha
Não posso deixar que alguém me acompanhe
É na verdade fundamental que alguma mão tente alcançar a minha
Ainda que não saiba o quanto me faz falta nesses instantes
Mas não posso deixar que me sintam em baixo
Não posso deixar que me sintam caída no buraco
Buraco esse que me atormenta
Que me faz deambular num labirinto sem uma saída visível
Tenho de palpar, de cair mais uma e outra vez, de esfolar os joelhos, de sangrar às vezes demais, para encontrar o caminho correcto
O caminho que me leva de novo ao cume da montanha, que me proporciona uma visibilidade sublime deste mundo que me tira tanto, mas... também me brinda com tantos momentos de uma beleza estrema!

:)

Delírio...

Desconheço autor da foto.



No delírio do choro manso
Na loucura dos sentidos
Sacudo meus bolsos cheios de nada

Olho no vazio à minha frente
E meus membros vergam
Neste chão pétreo, me deixo cair

Numa tentativa de olhar o céu
Meus olhos cerram
Neste escuro medonho, me deixo ficar

Ouço sons lá longe
Sinto presenças distantes
Neste declínio de forças, me deixo adormecer

Quando o tempo funesto passar
Grita meu nome, toca meu rosto
E se eu não me mover, foi porque adormeci para sempre, cansada de esperar!

Desabafo...

Foto de: Anne Guedes



O tempo avança
Numa tentativa de bom sentir, sorrimos, cada um para seu lado...
Os muros caem
Os alicerces de uma vida, tremem...
A constante lembrança de um momento que durou trinta anos
Sobrevoa o pensamento
O âmago sufoca num aperto imenso de saudades
Os olhares cruzam as lágrimas derramadas em rostos que mostram a sua fragilidade
Os abraços não voltarão mais a ser sentidos num quinteto
Os silêncios vencem cada etapa, cada manhã sentida por ti numa solidão que te consome...
Por mais que a tua força exista, a exaustão, o cansaço dos sorrisos que escondem a vontade de chorar, inibem o teu lado sereno, a tranquilidade que te conheci...
Que posso fazer por ti?
Com que mais palavras posso eu abraçar-te?
Que conforto poderei eu dar-te?
Para te libertar dessa nódoa que travou a melodia da tua vida...
Procuro em mim, no meu íntimo alguma força para que consiga pegar-te em meus braços
As dores que vivem nas tuas entranhas, são sentidas em mim num nível muito mais fustigante
Pois não tenho como medir os teus sentires, e assim vivo esta revolta à minha maneira...
O mundo quando cai nos nossos ombros parece até, que estilhaça cada pedaço de nós
Nesta minha fraca agilidade em te consolar, sufoca-me, submerge-me a alma a tal ponto que sinto um vazio desmedido "aqui" dentro...
Onde os sentires se confrontam, onde a penumbra se instala, e de onde eu não consigo sair...
Nunca em momento algum da minha vida, interroguei as minhas capacidades de aceitação, nas decisões que me transcendem...
Hoje contraditoriamente, olho-me, toco-me, sinto-me e vejo em mim um ser que desconheço a cada dia mais...
Quando alguém não está feliz, deve procurar a felicidade! Isto sentia eu! Eu consumia estas palavras sem qualquer sentimento de compaixão...Ninguém tem de estar infeliz, ninguém o merece...
Num acto de rebeldia, de revolta, de incompreenção, de egoísmo... Chego a sentir mesmo uma infantilidade irritante em mim...
Os protagonistas dessa infelicidade são os Seres que me ofereceram ao mundo...
E são eles que "despejam" numa "contena", são eles que "sepultam" trinta anos de momentos com altos e baixos, de lágrimas e sorrisos, de discussões e abraços, de ternuras e amor que sempre existiu, que eu sempre senti, foram eles que me incutiram todo um misto de sentimentos que definem o meu Ser, que dão imagem ao meu interior...
Baixo meu olhar, e deixo que o tempo continue a avançar! Num silêncio preso nas lágrimas que assolam cada sentir, cada pedaço de mim!
Eles nunca mais vão conseguir regar os três canteiros semeados num amor que hoje, não sabe mais como vingar!

Tranquilidade a momentos...

Foto de: ABrito
O sol desapareceu
A noite cai
Tu chegas perto
Por entre sonhos
Colo-me a ti
Num beijo suave
Num abraço apertado
Numa caricia de desejo
Sinto o calor que teu corpo emana
O cheiro que teus poros transbordam
A suavidade da tua pele
A doçura da tua saliva
Sinto-me perdida, em ti me encontro
Os teus sussurros acalmam a intranquilidade do meu fim de dia!

Nós...

Foto de: Kazuo Okubo



Ao som da chuva enrosco meu corpo no teu
Aninho minha cabeça no teu peito
Afago com as pontas dos meus dedos o teu rosto

Perco-me na doçura dos teus beijos
Na tua saliva mato minha sede
Com o teu cheiro enlouqueço de desejo

Na demência dos sentidos me deleito
No teu saber amar me deixo levar
Num sussurro de prazer me entrego

Suave, calmamente te sinto
Exploras minhas entranhas
Veneras meu corpo que é teu

Este quarto exala a fusão dos nossos aromas
Prova os sabores que nossos poros emanam
E nós... Saciados... Deliciados... Sorrimos e adormecemos num sonho que é nosso!